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Creep-Feeding na Cria e Recria de Bezerros

Por Rogério Marchiori Coan

O longo período de anestro pós-parto é uma das principais causas do baixo desempenho reprodutivo na pecuária de corte. O anestro é maior em vacas que amamentam suas crias, pois a amamentação causa uma diminuição da concentração do LH (hormônio luteinizante), interferindo dessa forma na maturação dos folículos e posterior ovulação.

A questão enfocada é o que se pode fazer em tais circunstâncias para diminuir o tempo de retorno da vaca ao cio. O período médio de gestação das fêmeas zebuínas e cruzadas com raças europeias varia aproximadamente de 275 a 293 dias. Assim, considerando a importância da parição de cada vaca a cada 365 dias, resta-lhe pouco tempo para retornar à atividade reprodutiva. Quanto mais cedo o retorno à atividade, mais cios poderão ser servidos por touros e/ou por inseminação artificial, aumentando as chances de prenhez.

Na prática, o produtor de gado de corte processa a desmama beneficiando basicamente a vaca. Seu objetivo é de garantir que estas entrem na estação seca do ano em boa condição corporal, permitindo-lhes, desta forma, antecipar o retorno a atividade ovariana pós-parto, resultando em aumento significativo no desempenho reprodutivo.

Em relação ao bezerro, pouca atenção tem sido dispensada, apesar das evidências de perda de peso e maior suscetibilidade dos jovens a doenças e parasitoses, logo após a desmama, situação essa denominada de “estresse a desmama”.

Nos sistemas extensivos de produção de gado de corte, como caracterizado no Brasil Central, as parições geralmente concentram-se na estação seca e os bezerros são amamentados por sete a nove meses, portanto, até o início da próxima seca. Para os bezerros, a desmama consiste em uma separação abrupta, quando, de uma hora para outra, estes perdem o contato com suas mães. Além do estresse "emocional", o jovem animal é privado do leite que, apesar de pouco, ainda corresponde a um alimento de alta digestibilidade e com relativa concentração de nutrientes. Logo em seguida, tem à sua disposição pastagens de baixa disponibilidade e qualidade nutricional (baixos teores de proteína e digestibilidade).

Para que isso não venha a ocorrer, algumas práticas de suplementação podem ser utilizadas de forma a minimizar os prejuízos na desmama, como é o caso do creep-feeding. Esta tecnologia é definida como uma forma de suplementar o bezerro ao pé da vaca, por meio de dispositivos que permitem o acesso exclusivo da cria ao cocho, sendo portanto, reconhecido como uma prática eficiente para aumentar o peso a desmama dos bezerros (20 a 45 kg) e minimizar o estresse da amamentação nas matrizes.

Os animais iniciam o acesso a este sistema a partir do segundo mês de idade, uma vez que é nesta fase da vida que o bezerro começa a evoluir no processo de ser tornar ruminante, tendo assim condição de receber e metabolizar um suplemento concentrado, que contenha teor de proteína bruta variando de 18 a 24%, elevada densidade energética (acima de 70% de NDT) e com consumo de 0,3 a 0,5% do peso corporal. Outra opção implica no fornecimento de um suplemento proteico de baixo consumo (consumo de 0,1 a 0,2% do peso corporal), com 30 a 35% de proteína bruta, NDT acima de 45% e boa relação de macrominerais, vitaminas e aditivos. A definição pelo “tipo” de suplemento a ser utilizado na suplementação em creep-feeding é dependente da tecnologia à ser utilizada no pós-desmama, lembrando que o plano nutricional dos animais deve sempre ser crescente, haja visto que do contrário, há grande risco em perder grande parte do que se ganhou.

Por fim, é importante lembrar que associado a estas informações, há ainda que se considerar os aspectos relacionados a estrutura da propriedade, manejo dos animais, alimentos utilizados na formulação dos suplementos e custos, uma vez que é em função dessas variáveis que a tecnologia terá ou não viabilidade econômica em sua adoção na propriedade.





Fotos: Coan Consultoria

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